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Um exemplo concreto de como acontecimentos distantes podem afetar diretamente a economia local: o município de Tapira, sofreu neste mês a maior queda em anos na arrecadação proveniente dos royalties da mineração.
Segundo reportagem de Pedro Lovisi publicada no site O Fator, a Agência Nacional de Mineração (ANM) repassou ao município, na semana passada, R$ 167 mil referentes à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) — valor bem inferior às parcelas mensais recebidas ao longo de 2026, que costumavam ficar entre R$ 766 mil e R$ 1 milhão.
A causa está ligada à redução das atividades da Mosaic, mineradora que extrai e processa fosfato na cidade para produzir fertilizantes agrícolas. Desde o início da guerra no Irã, a empresa vem enfrentando dificuldades para importar enxofre, insumo essencial à fabricação de fertilizantes fosfatados. O encarecimento da matéria-prima obrigou a companhia a repassar o custo aos produtos finais, o que derrubou a demanda e tornou a operação brasileira menos rentável. A EuroChem, outra mineradora da região do Alto Paranaíba, também anunciou corte na produção recentemente.
Até setembro, a venda dos estoques acumulados pela Mosaic vinha compensando a queda de atividade e mantendo os repasses de Cfem próximos da média histórica. Mas a forte retração deste mês, somada à incerteza sobre os próximos meses, levou a prefeitura a admitir cortes em investimentos já planejados — principalmente obras de asfaltamento.
O secretário de Fazenda e Finanças de Tapira, Gilberto Martins Ribeiro, explicou à reportagem que o município normalmente gasta menos do que arrecada para acumular reservas e bancar obras de maior porte, como estradas, pontes e conjuntos habitacionais. Diante do cenário atual, porém, a revisão de gastos passou a ser inevitável. Segundo ele, o caixa disponível hoje equivale a cerca de 15% da receita corrente líquida, que somou R$ 115,8 milhões em 2025. Para 2026, a previsão orçamentária era de R$ 93,5 milhões em receitas, dos quais R$ 20 milhões viriam da Cfem — até agora, menos da metade desse valor foi efetivamente recebida.
Além da queda como cidade produtora, Tapira enfrenta outro problema: desde maio, não recebe os repasses da ANM destinados aos chamados "municípios afetados" — aqueles que, mesmo sem reservas minerais próprias, abrigam estruturas ligadas à mineração, como ferrovias e usinas de beneficiamento. De acordo com apuração anterior do O Fator, a agência atribuiu o atraso a uma indisponibilidade temporária de seus sistemas entre abril e julho. Esse repasse tem peso relevante para o orçamento municipal, já que costuma equivaler a valores próximos aos recebidos como produtor.
Procurada pela reportagem, a Mosaic informou que a redução da produção decorre de restrições globais no fornecimento de enxofre. A empresa atribuiu o cenário a fatores como instabilidade geopolítica, dificuldades em rotas marítimas internacionais, aumento da demanda global e pressão sobre os custos do insumo — fatores que, segundo a companhia, exigiram ajustes temporários na produção, com reflexos diretos nos volumes de Cfem recolhidos e distribuídos.
Fonte: LOVISI, Pedro. Guerra no Irã atrapalha orçamento de município do Triângulo Mineiro. O Fator, 22 set. 2026. Disponível em: https://ofator.com.br/informacao/guerra-no-ira-atrapalha-orcamento-de-municipio-do-triangulo-mineiro/