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De quanto em quanto tempo é preciso passar por uma consulta com oftalmologista? A idade influencia nessa decisão? Uma condição de saúde que exige atenção especial, como o diabetes, muda alguma coisa?
As respostas a essas e outras perguntas estão em um documento lançado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) que detalha a rotina recomendada de consultas para cada fase da vida, além das situações em que a frequência deve ser intensificada. A entidade lembra que a diretriz busca orientar a população sobre o tempo máximo de intervalo entre as consultas.
"Não existe consulta que possa ser substituída por exames isolados, autorrefração computadorizada ou prescrição automática de óculos sem o exame médico completo. Somente por meio desse encontro se torna possível fazer o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno de doenças que acometem a visão", completou o CBO em comunicado.
Os intervalos recomendados para as consultas são parâmetros mínimos de referência para pessoas sem doença ocular diagnosticada e que não apresentam fatores de risco.
Confira a recomendação para cada faixa etária:
- Recém-nascido: teste do reflexo vermelho, realizado pelo pediatra nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade. Se o exame tiver alteração, o bebê deve ser encaminhado com urgência para o especialista.
- 0 a 36 meses: repetição do teste do reflexo vermelho nas consultas médicas. Deve ser feita pelo menos três vezes ao ano durante os três primeiros anos de vida da criança, com avaliação dos marcos do desenvolvimento visual, da fixação e do alinhamento ocular.
- 6 a 12 meses: primeira consulta oftalmológica completa, com o objetivo de detectar e tratar precocemente falhas do desenvolvimento visual.
- 3 a 5 anos: pelo menos uma consulta oftalmológica completa, com inspeção dos olhos e anexos, avaliação da função visual, testes de motilidade e alinhamento, refração sob cicloplegia (que mede o grau real do olho) e fundo de olho sob dilatação, preferencialmente antes da alfabetização.
- Idade escolar e adolescência (até 18 anos): reavaliação periódica, com avaliação oftalmológica completa entre 12 e 18 anos. É considerado o período de maior surgimento e crescimento da miopia entre estudantes.
- Adultos até 39 anos: avaliação periódica mesmo que não tenha sintomas. Doenças relevantes podem ocorrer nessa faixa etária sem apresentar sinais.
- A partir dos 40 anos: consulta anual. A prevalência de glaucoma, por exemplo, sobe para cerca de 2% após os 40 anos e a presbiopia (conhecida como vista cansada) aumenta progressivamente a partir dessa idade.
- Idosos: acompanhamento anual, no mínimo, com atenção reforçada. Deve-se ficar atento à catarata senil e ao glaucoma. Não existem estudos nacionais, mas estima-se, a partir de dados internacionais, que a degeneração macular alcance 2,2% dos indivíduos entre 70 e 79 anos e até 10,3% daqueles com 80 anos ou mais.
Doenças crônicas
Cabe ao médico oftalmologista definir se os intervalos entre as consultas devem ser reduzidos.
Os principais fatores a serem considerados são:
- Diabetes: cerca de 50% dos pacientes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética (complicação na retina), proporção que chega a aproximadamente 80% após 25 anos de doença. O paciente diabético tem quase 30 vezes mais chance de tornar-se cego.
- Outras condições: hipertensão arterial, doenças reumatológicas e autoimunes e uso de medicamentos com potencial toxicidade ocular exigem vigilância. O tabagismo é fator de risco para a degeneração macular a depender da idade do paciente.
- Histórico familiar: parentes de primeiro grau de portadores de glaucoma têm risco aumentado de desenvolver a doença, sobretudo se afrodescendentes ou acima de 50 anos. Doenças hereditárias como distrofias corneanas exigem avaliação antecipada.
Segurança do paciente
Consultas e exames de diagnóstico, bem como outros procedimentos oftalmológicos, devem ser realizados em consultórios, postos de saúde e hospitais que atendam às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto à estrutura física, equipamentos e condições sanitárias.
A ambliopia, popularmente conhecida como olho preguiçoso, pode ser prevenida pelo exame oftalmológico realizado até os 3 anos. Dados internacionais apontam que 40% das crianças cegas poderiam ter essa consequência evitada ou tratada se tivessem acesso a um oftalmologista no tempo certo.
*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)
Por Paula Laboissière - Enviada especial* / Fonte: Agência Brasil