Tapira Teen - A Revista Digital de Tapira
Publicado em: 01/09/2026
Quase 1/3 dos usuários de internet relatam tentativas de golpe
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O equivalente a cerca de 45 milhões de pessoas com 16 anos ou mais - relataram ter sofrido tentativas de golpe utilizando seus dados pessoais. Além disso, 20% dos internautas relataram que foram efetivamente vítimas desse tipo de crime.

Os dados inéditos fazem parte da terceira edição da pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais, elaborada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e apresentada nesta segunda-feira (31), em São Paulo.

A missão do Cetic.br é produzir dados estatísticos e análises sobre os impactos das tecnologias digitais na sociedade. A pesquisa traz dados colhidos em dezembro de 2025, com 2,5 mil usuários de internet de todo o país, por meio de entrevistas online. O trabalho aborda a percepção e atitudes dos indivíduos sobre privacidade e proteção de dados, os riscos e violações e o uso de dados pelas empresas e pelo setor público.

De acordo com o coordenador da pesquisa, Fabio Oyadomari, o porcentual de pessoas atingidas é expressivo por se tratar do reporte do próprio usuário. "Esse é até um tema difícil, porque as pessoas ficam constrangidas e abaladas com as tentativas de golpe, então, não é um tema simples para a pesquisa abordar", disse em entrevista à Agência Brasil.

A natureza dos golpes

Essas tentativas ocorrem por vários canais de comunicação. A principal via de abordagem são:

  • Aplicativos de mensagem: 84% dos casos
  • Ligações telefônicas: 79%
  • Sites ou aplicativos falsos: 71%
  • Mensagens de SMS: 71%
  • E-mails: 69%
  • Redes sociais: 67%

"Mesmo as pessoas que não estão usando ou não têm o hábito de usar a internet, ou mesmo não têm habilidades com a tecnologia, elas também postam e estão sujeitas a este tipo de tentativa de golpe", afirmou.

Oyadomari destacou a incidência das tentativas nas relações dos usuários com sites ou aplicativos falsos. "A gente identificou que as pessoas que usam apenas o celular reportam mais tentativas de golpes por sites ou aplicativos falsos do que as pessoas que também usam computador. Pode existir aí uma limitação ou dificuldade que o próprio dispositivo de acesso proporciona, uma maior vulnerabilidade", analisou.

Impactos dos golpes

A constatação das tentativas de golpes causou reações específicas nos usuários. De acordo com o coordenador, a maioria citou estresse ou mal-estar. "Isso afetou emocionalmente a pessoa e seus familiares", complementou.

Os golpes, conforme explicou, não ficam apenas no roubo de dinheiro ou de dados bancários, mas incluem a perda de acesso a contas. Golpistas podem prejudicar o acesso aos serviços públicos ao tomar o controle do e-mail usado no Gov.br, por exemplo.

"Essa questão do roubo de acesso é também um fenômeno de preocupação, não só o prejuízo financeiro. Pode tirar do cidadão o acesso a serviços fundamentais, de governo, de assistência ou de políticas públicas", alertou.

Escolaridade e vulnerabilidade

Por trás dos dados elevados está o nível de escolaridade dos usuários. Quem tem um patamar mais baixo reportou todas as situações vivenciadas com mais frequência. "A gente está dizendo basicamente que as pessoas menos escolarizadas estão tão sujeitas aos golpes quanto às demais. No entanto, entre as menos escolarizadas, o estrago é maior", pontuou.

Segundo o coordenador, a partir da escolaridade, é necessário discutir não só a questão da proteção de dados, mas também a das capacidades e habilidades no uso da tecnologia.

"Essas duas coisas têm que andar juntas. Não adianta promover só uma cultura de proteção de dados, sem levar em consideração que uma parte importante das pessoas precisa desenvolver as habilidades digitais em busca de um ambiente digital seguro", afirmou.

Inteligência Artificial e privacidade

A pesquisa traz também dados sobre o uso de Inteligência Artificial (IA) generativa. O estudo apontou que 66% dos usuários desse tipo de tecnologia estão preocupados ou muito preocupados com a forma como as empresas responsáveis por essas plataformas utilizam as informações prestadas a elas.

Para Oyadomari, a questão dos dados cada vez mais íntimos e pessoais serem divididos com as ferramentas está associada à preocupação. A compreensão do que é feito com esses dados é baixa e, por isso, esse nível de preocupação.

"Existe toda uma preocupação de como são armazenados e sobre quem pode ter acesso ao seu prontuário médico. Isso é um tema de bastante preocupação no campo da proteção de dados e as pessoas estão discutindo dados de saúde com essas plataformas", chamou atenção.

Dados das empresas e do poder público

Do ponto de vista das empresas, os dados da pesquisa indicam avanços na adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As medidas mais reportadas pelas empresas na pesquisa foram:

  • Alteração de contratos vigentes: 30%
  • Criação de política de uso de dados de funcionários: 29%
  • Desenvolvimento de políticas de privacidade: 28%

Apesar desses movimentos, apenas 16% das empresas declararam ter nomeado formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO, na sigla em inglês), número que sobe para 44% entre as empresas de grande porte.

No setor público, a pesquisa apontou uma ampliação no desenvolvimento de ações para a proteção de dados nas escolas públicas. A proporção de escolas que declararam ter política de segurança da informação documentada passou de 37% em 2020 para 54% em 2025. Entre as principais ações promovidas pelas escolas estão palestras e treinamentos para professores e funcionários sobre o tema.

"É fundamental que empresas e organizações adotem práticas de governança, transparência e segurança que garantam o uso responsável dessas informações. A proteção de dados é essencial para a autonomia e os direitos das pessoas na sociedade digital", finalizou.

Fonte: Agência Brasil

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