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A paralisação temporária das atividades da Mosaic em Tapira, iniciada em julho e ainda sem data definida para retomada, preocupa o município pelos reflexos sobre empregos, renda, comércio, empresas prestadoras de serviços e arrecadação pública.
A situação ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado internacional de fertilizantes. A crise no Estreito de Ormuz afetou o fornecimento de matérias-primas importantes: a região responde por cerca de 80% dos nitrogenados e 45% do enxofre utilizado pela indústria brasileira de fosfatados.
Nesse cenário, a interrupção de uma das principais operações brasileiras de fosfato ganha ainda mais peso. Tapira é considerada a maior operação de fosfato do Brasil e possui capacidade para produzir cerca de 1,84 milhão de toneladas anuais de concentrado fosfático convencional, além de 160 mil toneladas de concentrado ultrafino. A unidade movimenta aproximadamente 2 milhões de toneladas de rocha fosfática por ano.
Tapira no planejamento de longo prazo
Apesar das dificuldades atuais, uma sinalização positiva veio da política nacional de fertilizantes. A Resolução CONFERT/MDIC nº 15, de 14 de agosto de 2026, incluiu Tapira na Carteira de Projetos Estratégicos do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CONFERT).
A medida ganha relevância porque o Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050 prevê justamente a ampliação da exploração de rocha fosfática no país. No caso de Tapira a meta é que a exploração chegue a 4,2 milhões de toneladas até 2030, 7,5 milhões de toneladas até 2040 e 9,2 milhões de toneladas até 2050.
Embora a inclusão em uma carteira estratégica não significa, por si só, garantia de investimentos imediatos ou de retomada da operação, isso coloca Tapira dentro de uma estratégia que ultrapassa o horizonte da atual paralisação. A inclusão no planejamento federal reforça que o município é considerado estratégico para o futuro da produção nacional de fertilizantes.
Rocha de Tapira é estratégica para o Brasil
O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes e ainda possui forte dependência das importações. O Plano Nacional de Fertilizantes foi criado justamente para ampliar a produção interna e reduzir essa vulnerabilidade.
A atual crise internacional demonstra a importância dessa estratégia. Para Tapira, ela também reforça o valor de suas reservas de rocha fosfática e da estrutura instalada no município.
Assim, embora a paralisação da Mosaic represente uma preocupação concreta para a economia local, a inclusão de Tapira na carteira estratégica do CONFERT traz uma perspectiva de longo prazo: o município continua sendo considerado essencial para ampliar a produção brasileira de fosfato e reduzir a dependência do país do mercado internacional.
A crise atual preocupa, mas as metas projetadas para 2030, 2040 e 2050 indicam que a importância de Tapira para os fertilizantes brasileiros está longe de terminar.